Cidade
Algumas observações do quotidiano. Era assim no passado, ainda é assim.
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Por aqui passam jovens barulhentos, a invadir o espaço alheio: estão-se nas tintas. Um avião voa completamente torto, traçando no ar uma curva lenta, a mostrar a barriga branca. Vem apressado um homem de curiosa figura, cabelo liso e ralo, cheio de brilhantina e penteado para trás, talvez por ser fadista. Vejo um velho encurvado, uma mulher bonita, o homem com pasta preta, a empregada do supermercado, da secção de legumes, numa pausa para cigarro. Um raio de sol irrompe entre as nuvens e ilumina as fachadas, pintando os prédios com cores berrantes de amarelo, azul e rosa, mas o que mais fascina é o intenso verde dos choupos através da atmosfera límpida do final de Outono. Um rapaz grita ao telemóvel, enquanto caminha, apressado, e há um cãozinho obediente que encontra um amigo canino, ainda infantil, e ficam os dois nervosos. Passam grupos de namorados, estudantes, funcionários e domésticas. Alguém buzina ao longe, impaciente. É a hora de ponta, não há tempo a perder. Vejo desempregados sem ocupação, trabalhadores em fim de turno. A sorte não é igual para todos e há muitas caras de fracasso.
crónica de 2014, imagem atual, gerada por IA, Gemini

