Frivolidades
Vivemos na época das grandes manipulações e da indiferença do poder.
Gasto dias a pastar nos infinitos relvados da informação. É tudo indigesto, com palha à mistura e excesso de comida estragada. Tenho pensado nos motivos das mentiras que encontro: os leitores são enganados em larga escala pelos propagandistas das diversas tendências, mas este fenómeno antigo atingiu um novo patamar. Os democratas vão acabar com a democracia e os capitalistas enterram o capitalismo. Prepara-se qualquer desgraça, é evidente, tentam conduzir os povos para o matadouro, estão a ser utilizadas novas técnicas de manipulação, financiadas por governos, não os totalitários da lenda estabelecida, mas governos ditos liberais, supostamente puros, que mentem como se não houvesse mais eleições no horizonte.
É difícil explicar a maneira como políticos impopulares se agarram ao poder, a extensão dos erros cometidos, as lideranças que deixaram de responder aos eleitores, deixaram até de pensar neles. Muitos dirigentes parecem não conceber alternativas aos tropeços catastróficos, são atraídos para o desastre como insetos à procura da lâmpada elétrica. É fascinante ver como se enganam, como se iludem e como prosseguem nos seus delírios.
O Ocidente entrou numa decadência acelerada, mais grave após o ataque americano e israelita ao Irão, em fevereiro, que entretanto se transformou numa guerra sem saída, que continua a provocar efeitos económicos catastróficos. Entretanto, somos submetidos a uma anestesia geral, como aconteceu nos pânicos da recessão, das epidemias, da guerra da Ucrânia. Os governos preparam embargos comerciais, os estados-maiores têm planos para a guerra total, as pessoas deixaram de contar e não serão consultadas.
Os sinais do colapso adensam-se: massacres de inocentes em Gaza e Líbano, a Europa a caminho do abismo nuclear, conflitos esquecidos do Sudão ao Mali, os impérios sem freios. A loucura apoderou-se da realidade e a hipocrisia domina o pensamento contemporâneo. As elites vivem na bolha e assistem com indiferença ao espetáculo da maldade. Provavelmente, estamos a viver o prelúdio de uma guerra geral e, se sobrevivermos, vamos olhar para a nossa época como o crepúsculo de uma era dourada, o sonho antes das revoluções e do tempo cruel, mas não terá sido nada disso, foi apenas um período fingido e cínico.
Imagem gerada por IA, Chat GPT

