Palavras
Sobre a inquietação e a incerteza da escrita, que nunca mudam
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Por vezes, envergonho-me um pouco do que escrevo, tudo parece insuficiente e mal concebido. A escrita precisa de ser autêntica, mas as frases saem-me toscas e pobres, demasiado banais e falsas. A cabeça anda perdida em pensamentos, dispersa numa melancolia improdutiva e vaga. As lembranças apagam-se e aquilo que vivi fica tão distante como a Lua. Devia escrever sobre isso, sobre a insensatez quotidiana, mas produzo textos como se o mundo fosse a regra e esquadro, sem caos na mistura. Vivemos em tempos irreais, era isso que eu queria dizer, mas bastava dizer isso mesmo, que nada do que vemos é verdadeiro, que a realidade não passa de uma elaborada manipulação dos sentidos humanos. Tento escrever mil palavras por dia e, no entanto, persiste a sensação de futilidade. As palavras que escrevo serão esquecidas, como acontece aos nossos melhores monólogos e pensamentos, como sucede aos momentos que nos parecem tremendamente importantes e que depressa deslizam no esquecimento. Sei que serão inúteis estas poucas linhas. O mundo continuará a girar e avançará pela noite e haverá muitos outros acontecimentos fugazes, envolvendo uma população transeunte, como aliás sucede no movimento dos formigueiros, com todos os dramas e tragédias de cada época. O tempo passa, como passam as palavras desgastadas, e o mundo vivo caminhará sobre o que vai morrendo.
Junção de dois textos de 2014, ideias com 12 anos, mas prosa reduzida (basta tirar as frases pomposas). Não sei dizer se é um disperso novo ou antigo. A imagem foi gerada hoje por IA, ChatGPT.


Quando Inquietação (não importa os motivos que, para cada um são diversos) e a incerteza (em qualquer área) produzem ruído, surtem efeito. Batem no espelho de outros seres que sentem/pensam/ vivem incoerências semelhantes. O cansaço é comum ao coletivo. A inquietação deve manter-se, assim como a incerteza, penso eu de que. Grata por partilhar o seu cansaço